As férias escolares são sinônimo de brincadeiras, passeios e mais tempo em família. No entanto, o período também exige atenção dos pais e responsáveis. Com as crianças passando mais tempo em casa, aumenta também o risco de acidentes domésticos, muitos deles graves, mas que podem ser evitados com medidas simples de prevenção.
Entre as ocorrências mais frequentes estão quedas, queimaduras, intoxicações por medicamentos e produtos de limpeza, engasgos, afogamentos, choques elétricos e acidentes com bicicletas, patinetes e piscinas. Segundo a pediatra e coordenadora do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic Limeira, Glauce Leite, os acidentes não acontecem por acaso. “Eles são previsíveis e, na maioria das vezes, evitáveis. As férias representam um período em que é necessária maior vigilância dos adultos, especialmente porque as mudanças na rotina favorecem situações de risco”, explica.
De acordo com a médica, um dos fatores que mais contribuem para esses episódios é a falsa sensação de segurança. Ela destaca ainda que crianças menores de cinco anos, especialmente entre um e quatro anos, representam o grupo de maior risco. Nessa fase, elas apresentam intensa curiosidade, exploram o ambiente, ainda não conseguem reconhecer situações perigosas e possuem coordenação motora em desenvolvimento. “Crianças pequenas precisam de acompanhamento constante durante o banho, a alimentação, as brincadeiras e qualquer atividade próxima à água. Muitas vezes, poucos segundos de distração são suficientes para que um acidente grave aconteça”, alerta.
Outro ponto destacado pela pediatra é o impacto do uso excessivo do celular pelos adultos. Segundo ela, a supervisão ativa continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir acidentes. “Muitos acidentes acontecem mesmo com um adulto por perto, mas que está distraído utilizando o celular ou realizando tarefas domésticas. Em poucos segundos, uma situação aparentemente simples pode se transformar em uma emergência”, afirma.
A especialista ressalta que diversos objetos presentes na rotina das famílias merecem atenção especial. Medicamentos, produtos de limpeza, álcool líquido, panelas com cabos voltados para fora do fogão, facas, fios elétricos, tomadas sem proteção, cordões de cortinas, sacos plásticos, pilhas do tipo botão, baldes com água e piscinas sem barreiras de proteção estão entre os itens que oferecem maior risco quando ficam ao alcance das crianças.
Para reduzir os riscos de acidentes neste período, Glauce recomenda nunca deixar crianças pequenas sem supervisão, manter medicamentos e produtos de limpeza guardados em locais trancados, instalar redes de proteção em janelas, utilizar protetores de tomadas, manter os cabos das panelas voltados para o interior do fogão, evitar toalhas compridas sobre mesas, guardar objetos pequenos fora do alcance das crianças e cercar piscinas com barreiras de proteção. “Também é importante incentivar o uso de capacete durante passeios de bicicleta, patinete ou skate”, destaca.
Neste período de férias, é importante sempre lembrar que acidentes não são obra do acaso e que eles podem ser evitados. Para Glauce, a melhor estratégia de prevenção continua sendo a combinação entre supervisão ativa, ambientes seguros e antecipação dos riscos. “Pequenas atitudes salvam vidas e a prevenção continua sendo o tratamento mais eficaz para os acidentes na infância”, conclui.


