Professora da São Leopoldo Mandic alerta para a necessidade da doação constante
No próximo domingo, 14 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Doador de Sangue. A data foi criada para conscientizar a população sobre a necessidade da doação voluntária e regular para garantir estoques suficientes nos hemocentros. A data também é um reconhecimento aos milhões de doadores que ajudam a salvar vidas diariamente.
De acordo com a médica geriatra e professora do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic Limeira, Amanda Mestriner Zamai, a doação de sangue é indispensável para o funcionamento do sistema de saúde. “É um ato fundamental porque o sangue não pode ser produzido artificialmente. A única fonte de sangue é a doação voluntária. Ele é indispensável para cirurgias, transplantes e inúmeros tratamentos”, destaca.
Entre os pacientes que mais dependem das transfusões estão pessoas em tratamento contra o câncer, especialmente leucemias, aqueles submetidos a grandes cirurgias e transplantes, vítimas de acidentes, recém-nascidos prematuros, além de pessoas com anemias graves e demais doenças hematológicas.
O Dia Mundial do Doados de Sangue é um alerta para a sociedade pois, durante o ano, há períodos preocupantes nos hemocentros devido à ausência de um número ideal de doadores. Férias escolares, feriados prolongados, épocas de maior incidência de doenças respiratórias e de casos de dengue estão entre os momentos mais críticos para os hemocentros.
Por isso, o alerta é constante: uma única doação pode fazer a diferença para várias pessoas. Segundo a professora, cerca de 450 ml de sangue coletados podem beneficiar até quatro pacientes, já que o material é separado em diferentes componentes, como hemácias, plasma e plaquetas, para serem utilizados conforme a necessidade de cada tratamento.
A médica explica que os doadores devem apresentar boas condições de saúde, com peso mínimo de 50 quilos e idade entre 16 e 69 anos. Algumas condições, como febre, infecções, gravidez, amamentação, uso de determinados medicamentos e realização recente de tatuagem ou piercing, podem impedir temporariamente a doação. Já pessoas que tiveram dengue, Covid-19 ou gripe podem doar após o período de recuperação recomendado, desde que estejam sem sintomas.
Amanda também ressalta que é importante manter a regularidade nas doações. “Os componentes do sangue têm prazo de validade. As plaquetas podem ser armazenadas por até cinco dias, as hemácias por cerca de 42 dias e o plasma por até um ano. Como a necessidade de transfusões existe diariamente, doações regulares são essenciais para manter os estoques adequados e evitar situações críticas”, enfatiza.
Todos os tipos sanguíneos são importantes, mas os tipos O negativo e O positivo costumam ser especialmente requisitados. O primeiro é utilizado em emergências, por ser considerado doador universal para hemácias, enquanto o segundo é o mais frequente na população.
Para quem nunca doou e sente receio, a especialista deixa um incentivo. “Ter receio é natural. A doação é um procedimento rápido e seguro. Em poucos minutos, um gesto simples pode representar uma nova chance de vida para várias pessoas. Muitas vezes, aquilo que para o doador é apenas uma manhã do seu dia pode significar a continuidade da vida para alguém que está no hospital aguardando uma transfusão”, alerta Amanda.



