Professor da Mandic Limeira destaca que idosos não voltam a ser crianças
O Dia dos Avós, celebrado no próximo domingo, 26 de julho, vai muito além de uma homenagem àqueles que acumulam histórias. A data também convida à reflexão sobre os cuidados necessários para um envelhecimento saudável. “Idosos não voltam a ser crianças. São pessoas com história, experiências e autonomia. Envelhecer não significa deixar de viver, mas viver mais e melhor, preservando a independência pelo maior tempo possível”, destaca o professor e geriatra do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic Limeira, Moisés Samuel Gonçalves de Oliveira.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, esse planejamento deve começar bem antes dos 60 anos. “O envelhecimento começa por volta dos 30 anos, quando atingimos o pico da massa óssea e muscular. A partir dessa fase, se não houver cuidados, inicia-se uma perda progressiva de músculos, aumentando o risco de sarcopenia no futuro. Por isso, é importante planejar o envelhecimento e não apenas envelhecer por sorte”, explica.
Para o especialista, exercício físico regular, alimentação equilibrada, controle de doenças crônicas, estímulo cognitivo, convivência social e espiritualidade formam a base de um envelhecimento saudável.
O geriatra recomenda associar exercícios de fortalecimento muscular, pelo menos duas vezes por semana, a exercícios aeróbicos. “O melhor tipo de exercício físico é aquele que você faz, nosso corpo foi feito para estar em movimento. Idealmente o melhor é alinhar exercício de força muscular como a musculação e pilates para ganho de força e massa muscular pelo menos duas por semana e os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo, por 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos com alta intensidade para diminuir risco cardiovascular. Exercícios de equilíbrio também são essenciais nessa fase da vida”, destaca.
Exercícios de equilíbrio também são fundamentais para reduzir o risco de quedas, que continuam entre as principais causas de perda de autonomia no envelhecimento. Barras de apoio em banheiros, corrimãos nas escadas, boa iluminação, retirada de tapetes soltos, eliminação de obstáculos nos ambientes e instalação de luzes noturnas entre o quarto e o banheiro reduzem significativamente esse risco.
Já o acompanhamento periódico com um geriatra deve ser feito mesmo por idosos sem doenças diagnosticadas. Uma consulta anual permite acompanhar a evolução do organismo, solicitar exames preventivos e identificar precocemente possíveis alterações. Entre os exames que costumam integrar a avaliação estão hemograma, função renal, tireoide, dosagem de vitaminas, rastreamento para diabetes e colesterol, além da densitometria óssea para prevenção da osteoporose. Conforme a idade e os fatores de risco, também podem ser indicados colonoscopia, mamografia e tomografia de tórax para pacientes com histórico importante de tabagismo.
Na avaliação geriátrica, explica o professor, o foco vai além da idade cronológica. “Analisamos principalmente a funcionalidade e o prognóstico de cada paciente. O objetivo é preservar a independência e prevenir doenças antes que elas comprometam a qualidade de vida”, destaca.
Controle
Hipertensão arterial, diabetes e colesterol elevado costumam surgir ainda na meia-idade e, quando não controlados, aumentam os riscos de complicações na velhice. Entre os sinais que merecem atenção está a perda de força muscular, percebida pela dificuldade para levantar da cadeira, caminhar com segurança, manter o equilíbrio e realizar atividades rotineiras. A diminuição da força das mãos também é um importante indicativo avaliado durante as consultas geriátricas.
Já a saúde cerebral depende, em grande parte, do controle de fatores de risco acumulados ao longo da vida. Há doenças que estão associadas ao aumento do risco de demências como hipertensão, diabetes, sedentarismo, obesidade, colesterol elevado, depressão, tabagismo, consumo excessivo de álcool, perdas auditiva e visual, traumas cranianos repetitivos, solidão e até a poluição do ar.
Segundo o geriatra, manter-se intelectualmente ativo, aprender novas habilidades, preservar o convívio social e tratar adequadamente problemas de visão, audição e saúde mental são medidas capazes de contribuir para a preservação da memória e das funções cognitivas.
Além dos cuidados físicos, o envelhecimento saudável passa pelas relações sociais. Estudos mostram que a solidão persistente aumenta significativamente o risco de mortalidade e está relacionada ao desenvolvimento de depressão, ansiedade, demência, doenças cardiovasculares e hábitos prejudiciais à saúde. “A convivência social é um fator protetor para a saúde física e mental. Manter vínculos familiares, amizades e participar de atividades comunitárias faz diferença na qualidade de vida do idoso”, destaca.



