Especialista da São Leopoldo Mandic orienta sobre prevenção e primeiros socorros
Com as festas juninas e a chegada da Copa do Mundo, aumenta a preocupação com os acidentes com fogos de artifício, fogueiras e até mesmo a soltura ilegal de balões. Além dos riscos de incêndios e danos ao patrimônio, essas práticas podem provocar queimaduras graves na pele e outras lesões que exigem atendimento médico.
De acordo com a dermatologista Carolina Gutierrez, professora do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic Limeira, as queimaduras podem ocorrer em diferentes graus de profundidade. As mais comuns são as de primeiro e segundo grau. Também podem ocorrer lesões traumáticas como lacerações, amputações de dedos, lesões oculares e queimaduras por faíscas ou brasas. As mãos são as regiões mais atingidas em acidentes com fogos, seguidas pela face, olhos e membros superiores, justamente pelo manuseio direto dos artefatos.
As crianças estão entre as principais vítimas dos acidentes relacionados a fogos de artifício e fogueiras. “Os adultos devem evitar que crianças manuseiem materiais inflamáveis e fogos de artifício. Também é importante manter distância segura de fogueiras e conscientizar as crianças e adolescentes sobre os riscos. O uso de roupas menos inflamáveis também ajuda a reduzir riscos”, orienta a professora.
Em caso de acidente, a dermatologista destaca que os primeiros minutos são fundamentais para reduzir os danos à pele. “A primeira medida é interromper o contato com a fonte de calor e resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 10 a 20 minutos. É importante não usar gelo. Em seguida, proteja a área com um pano limpo ou gaze e procure atendimento médico”, orienta.
Um outro alerta é quanto às receitas caseiras. Apesar de ainda serem comuns, esses tratamentos não devem ser utilizados em queimaduras. “Aplicar produtos como pasta de dente, manteiga, óleo, clara de ovo, pó de café ou qualquer substância caseira pode piorar a lesão, aumentar o risco de infecção e dificultar a avaliação médica. Também não se deve estourar as bolhas sem avaliação médica”, alerta Carolina.
Nem toda queimadura exige atendimento de urgência, mas alguns sinais indicam gravidade. “Queimaduras leves costumam ser superficiais, com vermelhidão, dor e sem bolhas extensas. Os sinais de gravidade incluem bolhas grandes, áreas esbranquiçadas ou enegrecidas, perda de sensibilidade, dor intensa, acometimento de face, mãos, pés, genitais ou queimaduras extensas. Nesses casos, é necessário atendimento imediato”, explica.
A dermatologista também lembra que o cuidado deve continuar após o acidente, já que existe risco de infecção. “É importante manter a área limpa, coberta com curativo adequado, evitar manipulação, observar sinais como pus, aumento da dor, vermelhidão, febre e seguir orientação médica quanto ao uso de pomadas ou antibiótico.”, alerta.
Além das queimaduras, a fumaça produzida pelas fogueiras pode trazer prejuízos à saúde da pele e das vias respiratórias. “A fumaça pode causar irritação cutânea, ressecamento e agravar doenças de pele como dermatite atópica e rosácea, além de provocar irritação ocular e respiratória”, destaca Carolina.
A professora também chama atenção para os riscos associados à soltura de balões, prática proibida pela legislação brasileira. Além do potencial de provocar incêndios em áreas urbanas, rurais e de preservação ambiental, os balões podem causar queimaduras graves em caso de queda ou contato com pessoas. “O ideal é substituir práticas de risco por celebrações seguras e organizadas. A prevenção ainda é a melhor forma de evitar acidentes e garantir que os momentos de lazer sejam aproveitados sem colocar vidas em perigo”, conclui.



